Os computadores da Apple são computadores iguaizinhos aos computadores que vendem por aí com
Imposto MS.
Vai daí que a Microsoft acha que a Apple cobra Imposto Apple ao não permitir que as pessoas possam optar por ter o Windows nos seus computadores.
Perfeitamente de acordo, mas quem tem telhados de vidro não deveria atirar pedras…
Estivemos em reunião com a Autoridade da Concorrência por causa da prática restritiva de mercado conhecida como Imposto Microsoft. Tivemos oportunidade de apresentar o nosso ponto de vista e um pacote de documentação constituído por:
Da reunião surgiu uma clarificação do que tem a ver com concorrência ou não. A legislação da concorrência afecta o funcionamento entre empresas, não entre empresas e o consumidor (isso é âmbito do direito do consumidor).
Resumindo:
- do ponto de vista de concorrência não existe um abuso de posição dominante no mercado de computadores em geral e portáteis em particular porque nenhuma das empresas tem mais de 25% de quota de mercado.
- Pode existir um abuso de concorrência nos sistemas operativos para portáteis por parte da Microsoft, uma vez que mais de 80% dos portáteis vêm pré-instalados com o sistema operativo deles.
- A recusa de alguns dos fabricantes e distribuidores de portáteis de se recusarem a devolver o dinheiro do sistema operativo é um problema de legislação do consumidor.
- A recusa de alguns dos fabricantes e distribuidores de portáteis de se recusarem a vender o computador sem sistema operativo ou com um sistema operativo não-Microsoft é um problema de legislação do consumidor.
- A não-indicação, junto ao preço do portátil, do custo do sistema operativo é um problema de consumidor.
No final tivemos a indicação de que a Autoridade da Concorrência continuará a acompanhar este processo e as suas potenciais evoluções.
Artigo relacionado: Autoridade da Concorrência Polaca Não Quer Imposto MS
Quando um potencial cliente perguntou à Toshiba Portugal como poderia obter a devolução do Imposto MS cobrado na aquisição de um portátil, a Toshiba respondeu que «
não comercializa equipamento sem sistema operativo».
Como se tal não bastasse, estendem o conceito de shrink-wrap (associado aos CD’s selados) à embalagem de cartão que envolve o computador:
«Ao adquirir um dos nossos equipamentos, o mesmo virá selado. Ao quebrar esse selo está a aceitar as condições do equipamento, as quais incluem o sistema operativo pré-instalado.»
Quando um potencial cliente perguntou à HP Portugal como poderia obter a devolução do Imposto MS cobrado na aquisição de um portátil, a HP respondeu:
«não é possível adquirir no mercado Nacional um equipamento da Gama de Consumo (Linha HP Pavilion – equipamentos considerados para utilização doméstica, independentemente se são para utilização particular e/ou profissional/empresarial com configurações técnicas consoante as necessidades do Cliente» [o cliente pediu sem sistema operativo]
Como se não bastasse esta informação, a HP não recomenda a instalação de outros sistemas sob risco de deixarem de estar abrangidos pela garantia:
«Mais informamos que a HP, não recomenda qualquer alteração dos modelos de Desktops/Notebooks da Linha HP Pavilion. Uma vez que, a Garantia ao nível do suporte Técnico só abrange as configurações que os equipamentos trazem de fábrica. Tais alterações, ficam sempre à inteira responsabilidade e encargo do cliente, não sendo suportadas pela HP. Ou seja, se o equipamento sofrer alguma avaria, em que a nossa assistência técnica detecte que a mesma tem origem nas alterações efectuadas, tal não será suportado pela nossa assistência.»
Quando um potencial cliente perguntou à ACER Portugal como poderia obter a devolução do
Imposto MS cobrado na aquisição de um portátil, a ACER respondeu que:
- O Cliente tem 30 dias para efectuar a devolução
- A ACER exige ao Cliente que lhes envie o portátil para remover o Microsoft Windows do disco rígido. É melhor não instalar nada em paralelo uma vez que o disco voltará vazio
- A ACER não se responsabiliza pelos custos de transporte, recolha e entrega do portátil, devendo todos estes custos ser assumidos pelo Cliente
- Exige a devolução dos CDs dos softwares de suporte que vieram junto com o Windows, pois estes serão invalidados mas não reembolsados
- A ACER exige que o Cliente assuma todas as responsabilidades por instalar outro sistema operativo.
- A ACER reembolsará apenas 30€ ou 60€ respectivos ao Microsoft Windows (XP Home ou Pro, respectivamente)
Alguns problemas com a metodologia da ACER:
- Ao dar “30 dias” como prazo de devolução, a ACER está a colar-se à imagem do prazo para devolução de produtos defeituosos. Mas acontece que a realidade é que o cliente foi obrigado a comprar um produto extra que não pretendia, e não de um produto defeituoso. Então a ACER está a definir um prazo arbitrário.
- Existe um processo muito mais simples que é o cliente simplesmente apagar o sistema operativo que feio de raiz. Se a coisa fosse bem feita, o cliente só poderia utilizar o Windows depois de ter inicialmente introduzido um código de activação, dispensando todo este inútil processo. É inútil porque a sua única finalidade é a ACER ter a garantia que o cliente não está a utilizar o Windows que quis devolver, mas não impede que o cliente faça uma imagem do disco e o continue a utilizar.
- Os custos de transporte, recolha e devolução facilmente ultrapassam o valor reembolsado. Exemplo: uma encomenda de cerca de 3kg, enviada de Lisboa para Lisboa sem registo de recepção nem extras por conteúdo frágil, por percurso terrestre são quase 19€. E isto só num sentido… (fonte: CTT)
- O software extra também tem um custo, se a ACER não o reembolsa, porque exige que lhos sejam devolvidos?
- Para se escapar de qualquer problema, tudo o que a ACER precisa é alegar «com o Microsoft Windows isso não acontece, pelo que está relacionado com o seu outro sistema»
- O reembolso que fazem é inferior aos custos directos, e muito inferior aos indirectos, desincentivando o devido reembolso.
Na Checoslováquia
a Lenovo tentou manter em segredo a negociação da devolução do Imposto MS de um portátil. O seu cliente ficou tão chocado, que em vez de aceitar o
Acordo de Não Divulgação para receber a devolução do
Imposto MS,
preferiu publicar on-line a sua experiência.
Contou-a a sua escaborosa experiência de tal forma bem, que o maior portal de GNU/Linux Checo, AbcLinuxu.cz, doou-lhe o valor que a Lenovo daria caso tivesse aceite, 78€.
No Portal do Governo Francês, pode ler-se que
a França Não Quer Imposto MS.
Luc Chatel, o Secretário de Estado para os Consumidores, diz que entendem que os os preços do computador e software devem ser discriminados por forma a que os consumidores possam ser reembolsados pela diferença caso não o desejem, salientando como uma possível implementação seja a utilização de códigos de activação distribuídos num folheto à parte (algo já por cá mencionado)
A Secretaria de Estado para os Consumidores deverá reunir-se em breve com os fabricantes para exigir a transparência nos preços, e poderão haver resultados desta reunião já em Setembro.
Segundo a Polskieradio, o equivalente Polaco da nossa Autoridade da Concorrência,
UOKiK,
considera que «
vender portáteis obrigatoriamente com o Microsoft Windows pré-instalado constitui uma prática monopolista e restringe a concorrência».
O UOKiK esteve a estudar a problemática do Imposto MS e irá fazer chegar as suas conclusões à Comissão Europeia, o que poderá ter resultados interessantes para os consumidores.
O estudo contraria também a opinião da Microsoft, de que os vendedores é que escolhem instalar o Microsoft Windows, alegando que a Microsoft colabora com, e incentiva com grandes descontos, os fornecedores a não instalar outro software que o seu.
Ora como isto vai contra os interesses dos consumidores, e prejudica a concorrência, na sequência de reclamações de que «não podiam escolher o sistema operativo no acto da compra» feitas ao UOKiK foi iniciada esta investigação.
96% dos portáteis vendidos na Polónia têm o Microsoft Windows como aquisição obrigatória.
Em Portugal pelo menos 90% dos portáteis vendidos têm o Microsoft Windows como aquisição obrigatória, de acordo com os números oficiais de vendas relativos a 2007.
Esta campanha não contesta a pré-instalação de software de sistema operativo num computador. Quem não tiver software nenhum, não quer comprar uma caixa que faz barulho e gasta electricidade, mas sim um computador para realizar determinados objectivos.
Mas quando uma pessoa compra um computador não é informada sobre alternativas viáveis, ou até mesmo mais baratas, à pré-instalação fixada. Acaba sendo inconscientemente forçada a aceitar o Imposto M$.
Contudo a Microsoft, pela pessoa do Director de Tecnologia da Microsoft Ibéria, Hector Montenegro, tenta convencer que quem escolhe a pré-instalação de Windows são os fabricantes OEM consoante a procura de mercado, equacionando os benefícios da pré-instalação de software ao Imposto M$.
Mas os fabricantes OEM têm rígidos acordos com a Microsoft para instalar o seu sistema operativo.
Mas as lojas que vendem os computadores forçam o pagamento do Imposto M$ alegando que só vendem o que o fabricante lhes entrega.
Como se não bastasse o Imposto Microsoft cobrado por cada computador, Steve Ballmer quer
Imposto Microsoft por cada programa que utilize formatos de documentos Microsoft, ou protocolos Microsoft, podendo assim cobrar imposto à concorrência. Ora veja-se o diálogo entre Brad Smith, da Microsoft, e Steve Ballmer:
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